terça-feira, 10 de julho de 2007

Meu medo é o Brasil ganhar essa Copa América


Imagine o Brasil ser campeão da Copa América. Bom, não é? Seria o oitavo título brasileiro no torneio, o que, de cara, diminuiria a vantagem de Argentina e Uruguai no número de conquistas no continente. A saber, nossos vizinhos têm 14 títulos, cada.

Além disso, a atual seleção faria com que os milhões de brasileiros esquecessem o futebolzinho mequetrefe apresentado na última Copa do Mundo, ano passado, na Alemanha.

Faria?

Meu medo é justamente o Brasil ganhar essa Copa com o time que Dunga vem colocando em campo. Será a confirmação do futebol burocrático e sonolento que, como ele define, é de competição.

Ora, para ser competitiva, uma equipe não precisa necessariamente jogar feio. Vejam nossa história. Não vou nem tão longe quanto 1970, até porque não era nascido. Mas basta lembrarmos do penta e de jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Rivaldo. Belas partidas e eficiente.

Não dá para gostar de uma seleção brasileira que jogue com quatro volantes. Quatro sim, pois meia que não tem criatividade e habilidade para mim é volante. E isso é Júlio Batista.

A goleada contra o Chile pode ter dado a ilusão de que o time é bom, ofensivo e eficiente. Dunga colocou na cabeça que essa formação é melhor porque fez mais gols. Em parte é verdade. Mas vejam a natureza desses gols. Na grande maioria, originados de pura sorte, com chutões do campo de defesa que “acharam” os atacantes.

Vamos observar o time ao encarar um adversário de tradição e que sabe marcar, como o Uruguai, ao contrário da frágil defesa chilena. Contra o Equador tivemos um aperitivo do que nos aguarda. Foi apertado, 1x0, com gol de pênalti que o juiz precisou se esforçar muito para ver. Se ganhar de um adversário assim, dessa maneira, foi o suficiente para Dunga acreditar que encontrou o time ideal, imagine se ele ganhar a Copa América.

Vou ser outro a querer ser engolido.

Por isso tenho medo que o Brasil vença a Copa. Imagine se isso acontecer.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Mudando de ares...

Já que o Campeonato Paraibano entrou de férias e as equipes só voltam aos gramados em julho, darei vacâncias a elas também. O assunto do momento é o imbróglio entre a CBF e o Real Madrid, que, digamos, discordam sobre a data de apresentação de Robinho à seleção brasileira. Por um lado, a entidade que rege o futebol no Brasil quer (ou seria melhor, queria) que o atleta se apresente nesta quarta, 13. Contudo, o time merengue deseja contar com o jogador no próximo domingo na partida que vale o título da temporada.

Após se ouvir de tudo e de todos, menos de Robinho, de longe o mais prejudicado, tirei algumas conclusões. De fato, tanto CBF quanto Real Madrid não terão suas vontades atendidas, pois o atacante nem vai defender o seu clube no domingo, nem vai se apresentar esta semana ao técnico Dunga. Pelo menos é para onde estamos caminhando.

A verdade é que há muito tempo as seleções vêm perdendo espaço para os grandes clubes europeus. Sempre que chega época de competição oficial da FIFA é aquela gritaria. Além do quê, os jogadores, obrigados a disputar temporadas extenuantes, cada vez mais só querem disputar a Copa do Mundo. Copa América e Copa das Confederações estão se tornando laboratórios para descoberta de novos talentos. Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo são exemplos disso.

Normalmente, os clubes europeus ganham as batalhas com os selecionados nacionais, como a obrigar seleções de fora do continente a fazerem amistosos apenas na Europa. Contudo, desta vez a CBF resolveu comprar a briga e isso ainda deve dar muito pano para manga. Não no caso Robinho, já que o provável final está se desenhando, mas sim em um futuro próximo.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Diversão de fim de semana é ver a Perilima jogar

No último fim de semana, o humorista Chaolin fez algumas apresentações em João Pessoa. O ingresso era R$ 30,00. Quem foi, deve ter se divertido um bocado, pois escutei de alguns conhecidos que o espetáculo é muito bom. Contudo, os menos favorecidos poderiam ter gasto bem menos e se divertido tanto ou mais do que quem foi ver Chaolin.

Com o investimento de apenas R$ 5,00 o torcedor paraibano pôde acompanhar a partida entre Auto Esporte e Perilima no Mangabeirão na tarde do domingo, 01. Parecia piada. Sabe aquelas peladas de fim de churrasco em que todos se divertem? Principalmente quem fica de fora? Pois foi mais ou menos isso que aconteceu no Colosso Alvirrubro. A diferença é que antes não teve churrasco.

Escrevi semana passada que sentia vergonha por Seu Pedro. Dizer isso só de ouvir falar é fácil. Mas depois de acompanhar de perto seu desempenho em campo, pude constatar duas coisas: A primeira é que ele realmente é uma das pessoas mais humildes que conheci. Simpático, atende todos com a maior paciência do mundo, mesmo que esteja atrapalhando seu aquecimento.

A segunda, é que tinha razão. Dá pena vê-lo jogar. A torcida pega no pé do coitado do início ao fim do jogo e ele não se faz de rogado. Toca de calcanhar, faz corta-luz e etc. É uma diversão para toda a família.

Contudo, após os 20 min iniciais em que o Auto atropelou o time das sordas passei a pensar em outras coisas. Isso inspirado pela presença da presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Rosilene Gomes. Não existe espaço atualmente para tamanho amadorismo no futebol. Não dá para acreditar que um campeonato sério possa contar com times tão amadores.

O time do Auto só tem jogadores profissionais e obrigá-los a entrar em campo para jogar com uma equipes dessas é demais. Fica difícil para o torcedor levar a sério um torneio desse mesmo com todo o profissionalismo que parte da FPF. Para se ter uma idéia, haviam dois jogadores escalados pelo técnico da Perilima que sequer poderiam estar relacionados, uma vez que já tinham levado o terceiro amarelo e precisavam cumprir suspensão.

Após o jogo fiquei com algumas certezas. Dá pena ver Seu Pedro em campo, pois só me vem à mente meus tempos de “café-com-leite” em que só fazia correr de um lado para o outro e ninguém tocava a bola para mim; continuo sentindo vergonha pelos outros, mas acima de tudo, pelo futebol paraibano; e por fim a mais certa conclusão a que cheguei: Quando a Perilima jogar contra o Botafogo no Almeidão, leve sua família. É diversão a preço baixo e vai se divertir tanto ou mais que no show de Chaolin.

sábado, 31 de março de 2007

Eu sinto vergonha pelos outros

Sabe quando alguém faz algo tão ridículo que você sente vergonha por essa pessoa? Pois é, como quando Xuxa resolveu lançar aquele DVD para baixinhos, onde ela fazia caras e bocas para cantar e dançar aquelas dancinhas sem graça. Eu senti tanta vergonha pela Loira.

Essa semana quase não coloco a cabeça fora de casa de tanta vergonha. Um certo jogador de 58 anos atingiu a incrível façanha de marcar seu primeiro gol na carreira depois de oito como “profissional”. Claro que estou falando de Pedro Ribeiro de Lima, ou melhor, Seu Pedro, o jogador mais velho em atividade no mundo.

O curioso, é que o fato aconteceu bem próximo de outro jogador atingir uma marca histórica. Romário deve fazer seu milésimo gol em poucos dias, e não sossegará enquanto não realizar o feito. E tem que ser no Maracanã.

Bem mais modesto, Seu Pedro fez seu golzinho no Amigão, em Campina Grande contra o Campinense. Fiquei com vergonha por várias pessoas. A primeira, é claro, foi por ele próprio. Lembro de quando era criança ser sempre chamado para jogar as peladas. Na época acreditava que minhas habilidades futebolísticas eram apreciadas pelos meus amigos que sempre faziam questão de me chamar em casa.

Contudo, hoje vejo sob outro ângulo. Coincidentemente eu era o dono da bola e caso não fosse ninguém jogaria. Cheguei a essa conclusão após observar que sempre disputava a primeira partida. Mas depois ninguém fazia questão da minha presença no time. Assim é Seu Pedro. Só joga porque não só é dono da bola como do time.

Mas sinto vergonha por seus parentes também. Eu acharia ridículo ver meu pai sendo alvo de chacota por parte da imprensa, torcida e até de certos blogueiros que acham que entendem alguma coisa de futebol.

Todavia, a maior vergonha eu sinto pelo futebol paraibano. Imagine quando alguém de qualquer outro Estado da federação lê algo sobre os times locais e descobre que tem jogador até de 58 anos. Conclui-se imediatamente que um campeonato assim não tem credibilidade. A não ser que fosse na categoria Máster. O que não é.

Antes de mais nada, quero deixar claro que também sinto vergonha por Romário, que já poderia ter parado há muito tempo, ao invés de ficar mendigando gol pelo mundo afora como fez ano passado. Mas pelo menos ele tem uma história. Jogou e ainda joga porque tem qualidade para isso. Seu Pedro não. É apenas por ser o dono da bola.

Contudo, espero que assim como o Baixinho, que prometeu encerrar a carreira quando atingisse o milésimo gol, Seu Pedro faça o mesmo agora que atingiu o primeiro. Dificilmente ele vai achar outro goleiro que deixe a bola entrar para ele fazer seu segundo tento.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Misturinha do Auto Esporte não deu em nada

Misturinha. Sabe quando você não sabe o que definir certas diferenças ou escolher entre uma ou outra coisa e diz: é uma misturinha. Como quando ainda estava na faculdade e o professor perguntou a uma colega de classe que tipo de texto ela faria para um determinado trabalho. Ela olhou para o mestre e respondeu: Ah, é uma misturinha. O professor quase vai à loucura.

Porém, outras vezes cabe bem a palavra. Um bom exemplo pôde ser visto no último jogo do Auto Esporte pelo Campeonato Paraibano. Se alguém me perguntasse qual a formação adotada pelo treinador do time automobilista eu diria na bucha: É uma misturinha. E estaria sendo preciso.

Se não, acompanhe-me: o time passou toda a pré-temporada do segundo turno e os dias que antecederam o jogo treinando no 3-5-2. Foi assim que o time entrou em campo. A partida rolava e os jogadores batiam cabeça. Era um verdadeiro exemplo de falta de educação tática. Os atletas simplesmente não conseguiam absorver o esquema. Mas até que tudo ia bem, até que a equipe adversária ganhou um gol.

E quem deu foi o mão de lodo Mazinho. A bola passou no meio das pernas do vigia-de-barra. É bom deixar logo claro que o atleta fez defesas incríveis no decorrer do jogo e se redimiu do lance. Mas levou o gol. A partir de então, com a desvantagem no placar, técnico do Auto mudou o esquema. Agora era 4-4-2. Isso com 30 min de jogo. O time empatou o jogo.

Na volta do segundo tempo, nova mudança: 4-3-3. A equipe criava mas não fazia gols. Até que aos 25 min, ele mudou de novo. Voltou para o 4-4-2. O time abriu dois gols de vantagem e todo mundo conhece o final da história.

Fico na dúvida se o comandante estava buscando oportunidades, uma vez que via as falhas do adversário, ou se era desespero puro e simples. O fato é que a misturinha no fim das contas não deu certo.

terça-feira, 27 de março de 2007

Já começou a caça às bruxas no Botafogo? Vamos com calma

No futebol a coisa á simples. Sempre que uma equipe não vai bem troca-se o técnico. O assunto da vez, ou melhor, a cabeça da vez é a de Washington Lobo, treinador do Botafogo. Ele foi o responsável pela montagem do time no começo do ano. Aquele mesmo time cuja campanha culminou com uma eliminação em pleno Almeidão para o Esporte de Patos. Nada contra o time patoense, mas vamos e convenhamos, o Botafogo tinha obrigação de se classificar naquela partida.

Tudo bem, a equipe foi desclassificada e um processo de renovação foi iniciado. No último fim de semana, sete novos contratados estavam em campo. E o resultado? Outra vez decepcionante. Aí o torcedor questiona a permanência do treinador. Afinal de contas, a diretoria fez a sua parte e contratou todos os jogadores solicitados pelo técnico. Certo? Errado.

Ora, vejamos. Esses atletas que aportaram recentemente na Maravilha do Contorno foram solicitados não agora, após a eliminação no primeiro turno, mas desde o início do ano. Qual o torcedor que não está saturado de ouvir dizer que Esquerdinha resolve sua situação até segunda? Que Joãozinho vem, aliás não vem, ou melhor, ele vem sim, mas pode ser que não... Se o treinador solicitou as contratações desde o início do ano e elas só chegaram agora, não podemos colocar a culpa nele.

E de quem é a culpa? Sinceramente, isso não vem ao caso. O problema é que a história se repete. Em 2003 aconteceu a mesma coisa e o Botafogo foi campeão. Foi mal no primeiro turno, Washington era o técnico e Miltinho chegou para as disputas do segundo. O torcedor reza para ter repeteco. Não sei se é o melhor a fazer. Afinal, podem achar que esse é o caminho. Que planejamento e organização é coisa para os fracos. Fracos como o São Paulo, três vezes Campeão do Mundo.

Pois é, acham que futebol é simples, mas a coisa é bem mais complicada.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Primeira impressão é que fica? Coitado do Botafogo

E por falar em futebol... Na terrinha, neste fim de semana, teve início o segundo turno do Campeonato Paraibano. As maiores torcidas do Estado esperavam comemorar os primeiros três pontos do returno, mas os “pequenos” pregaram peças e seus torcedores é que festejaram. Nesta rodada, destaco como decepção a estréia do Botafogo. Horrível a impressão que deixou.

O time chegou cheio de novidades e prometia apresentar mudanças em relação à decepcionante campanha do primeiro turno. Foram oito estréias. Tudo bem, 7, se você levar em consideração que Gilberto já fazia parte do elenco, embora nunca tivesse começado uma partida como titular. Contudo, mesmo com Joãozinho, Miltinho e Cia, a equipe voltou a apresentar erros que o torcedor não agüenta mais.

Chega a dar pena ver o pobre Rafael Freitas correr feito um louco para buscar uma bola perdida e quando consegue, procura alguém para tocar e... Pois é, não aparece ninguém. O técnico parece não ver isso. Pois de outra forma, teria no mínimo dado uns gritos em seus meias para que eles tivessem, pelo menos, a consideração de acompanhar a jogada.

Por falar no meio-de-campo, houve uma melhora considerável em relação ao antigo time. Mas ainda falta muita coisa para chegar ao ideal. Ficou visível a melhoria na qualidade do passe com as entradas de Miltinho e Joãozinho, mesmo com a alta quantidade de erros. Anderson é outro que merece destaque. Mostrou que sabe marcar e sair jogando. Neste setor, o que se precisa é tempo para entrosar. Os jogadores ainda mostram que não se conhecem dentro de campo. O problema é que Washington Lobo não terá o tempo necessário para resolver o impasse.

Na defesa, ai meu Deus! É isso que vem à mente do torcedor quando o time está na frente do marcador e vem uma bola cruzada na área. Fiz questão de destacar a frase em negrito porque é apenas nestes momentos que a defesa pára. Quando está ganhando, é comum dar um branco generalizado e o time sofrer cada gol ridículo. O torcedor não pode nem reclamar de Hudson. É outro pobre coitado. Só enfrenta o atacante adversário cara a cara.

É outro time? É. Portanto, não dá para fazer uma análise definitiva. Virão outros jogos e a equipe será melhor avaliada e acredito em uma crescente, principalmente nas próximas duas partidas, que devem ser encaradas como finais. Até porque, se perder, o alvinegro pode dar adeus ao campeonato.

Todavia, a primeira impressão após a partida diante da Desportiva é que Washington terá (e muito) trabalho para levar esse time ao ideal. Ele, porém, tem um desafio ainda maior: o tempo. A nós, resta esperar para ver.